A derrota do Grêmio no GREnal 375 tem dedo de Celso Roth. Claro que às vezes há certo exagero por parte da torcida, quando pede a sua cabeça. Mas desta vez, Roth deu todos os motivos para o torcedor gremista pedir a sua saída.
Primeiro, as declarações do técnico após a vitória contra o Veranópolis, de que o GREnal não era prioridade , até desdenhando de maneira pouco inteligente o Internacional, ao dizer o adversário não estava na Libertadores e por isso valorizava o Gauchão, enquanto o Grêmio tinha outra prioridade. Para ele, o jogo era apenas uma preparação para Libertadores.
Tudo bem, nenhuma mentira sobre a Libertadores ser uma prioridade maior. Mas o discurso do Roth foi totalmente conformista. Jamais veríamos o Mano Menezes ou Felipão tomar essa atitude.
Independentemente de qual competição o Grêmio esteja atuando, o time terá que fazer valer a sua tradição e brigar pelo título, com titulares ou reservas, mas sempre confiante em sua força e não com um discurso tão apático e não condizente com a tradição de um Campeão do Mundo e com o salário de Celso Roth.
O resultado é que o Inter está invicto há seis GREnais, comemora um título, que pode valer pouco, mas ainda sim é mais um troféu para a sua galeria e motivo de alegria para o seu torcedor. O Grêmio, através de Roth, pensou pequeno, algo que não condiz com a sua grandeza.
Outro erro do Roth foi entrar com 3-6-1. Não acho esse esquema uma catástrofe e foi até bem utilizado no GREnal 374. Mas não era o caso de usá-lo neste clássico, porque apresentava características diferentes do anterior.
Em Erechim, o Internacional entrou com D’Alessandro, Alex, Taison e Nilmar. Era um time exageradamente ofensivo. A resposta de Roth foi o 3-6-1, anulando as jogadas coloradas.
Daí deu certo e apesar do gol contra de William Magrão para o Inter, o Grêmio foi o time com maior volume de jogo e só perdeu aquele GREnal por um contra-ataque e porque não soube converter a sua superioridade em gols. Portanto, a derrota não passou pelo esquema.
Porém, este não era o caso do GREnal 375. Ao contrário do que ocorreu em Erechim, desta vez o Inter entrou em campo com três volantes (Sandro, Magrão e Guiñazu).
Com apenas Alex Mineiro na frente, o Grêmio ficou sem poder ofensivo, anulado muito bem pela defesa colorada. O resultado foi uma clara demonstração de superioridade apresentada pelos donos da casa.
Como se não fosse o bastante, a justificativa da utilização do 3-6-1, apresentada pelo nosso técnico, era o seu provável uso na Libertadores. Algo completamente sem coerência, pois antes do jogo contra o Boyacá Chicó, o Grêmio ainda enfrentará o Ypiranga e o Santa Cruz, pela Taça Fábio Koff. Essa justificativa de Roth se torna algo sem sentido algum.
A final da Taça Fernando Carvalho era jogo para o 3-5-2 ou até mesmo para o 4-4-2. Não dá para entender o porquê de Roth deixar Alex Mineiro sozinho, contra um time que veio preparado para anular as jogadas gremistas e deixar Jonas, artilheiro do estadual com cinco gols, no banco.
Como se não bastasse o erro tático cometido pelo nosso treinador, o time foi apático. O Grêmio fez a sua pior partida nesta temporada. E tudo isso pode ser reflexos do discurso conformista de Celso Roth.
Quando o Grêmio empatou o jogo, Roth cometeu mais um erro. A equipe estava no 4-4-2, com Jadilson fazendo papel de ala. Tudo bem que ele não estava jogando tão bem, mas não era o caso de tirá-lo. Ele ainda era um jogador que dava mais poder ofensivo ao time.
E o pior foi mandá-lo ao banco para a entrada do zagueiro Hérverton. Parecia que o Roth estava satisfeito pelo empate de 1×1 e tratou de reforçar a defesa. Tal atitude seria compreensível apenas se o Grêmio estivesse na frente no placar.
E o maior erro de Celso Roth, num aspecto mais amplo, foi a sua falta de inteligência, na hora de buscar a paz com a Torcida Gremista. Se o Grêmio superasse o Internacional na final da Taça Fernando Carvalho, daria mais paz ao time jogar a Libertadores e amenizaria a pressão que o técnico sofre por parte da torcida.
Por isso, o jogo contra o Inter era importante sim, não só por ser um dos maiores clássicos do futebol mundial, mas também por todos esses elementos apresentados.
Mas Celso Roth fez questão de perder essa incrível oportunidade. Agora, ele fez o favor de dar mais força às teorias do “técnico perdedor” e “covarde”. A pressão da Torcida Gremista será ainda maior. E para piorar, o treinador ainda teve que passar pelo constrangimento de ouvir o “Fica Roth” pela torcida colorada.
Agora, eu diria que só a Libertadores salva Celso Roth no comando do Grêmio. E se a vitória não vier no próximo compromisso da competição sul-americana, não é uma hipótese absurda que o seu cargo no comando do time gremista chegue ao fim. Se isso ocorrer, que Roth não reclame da pressão que haverá. Pois tudo isso será consequências de seus atos